Teste de Provocação Oral – TPO – Você já ouviu falar?

É muito comum ouvir entre mães de alérgicos, especialmente à proteína do leite da vaca, sobre o Teste de Provocação Oral (TPO). Hoje vamos falar um pouquinho sobre ele, para tentar tirar dúvidas.

Vacinas, enzimas, afinal, o que pode _curar_ a doença celíaca_ (2)

O TPO segundo a ASBAI (associação brasileira de alergia e imunologia) consiste na:

“oferta progressiva do alimento suspeito e/ou placebo, em intervalos regulares, sob supervisão médica para monitoramento de possíveis reações clínicas, após um período de exclusão dietética necessário para resolução dos sintomas clínicos”


Basicamente, o objetivo da provocação é verificar a tolerância ou não a determinado alimento (ovo, leite, soja, trigo, etc), especialmente em crianças não IGE mediadas. Especialmente em menores de 3 anos, que apresentam sintomas claros de alergia, mas que não positivam os exames, o TPO é considerado suficiente para se fechar o diagnóstico.

TPO de Diagnóstico x TPO de Tolerância

Existem basicamente dois tipos de exposição ao alérgeno.

O primeiro, é feito para confirmar a alergia, ou seja, de diagnóstico. Neste caso, retira-se o alérgeno da dieta por um período e observa-se o alérgico, se os sintomas sumiram, se houve melhora ou não. Em seguida, introduz-se novamente, em pequenas quantidades para verificar se o alérgico tolera ou não o alergênico.

Após esse período, em não havendo melhora, ou se apresentar reação após a reintrodução do alérgeno, confirma-se a alergia. Deve-se manter a dieta por, pelo menos, 6 meses a depender da idade e da gravidade das manifestações. Pode ser que a dieta de exclusão seja necessária por mais tempo, isso o médico deverá observar.

Já o TPO de tolerância é feito quando a criança já passou pela dieta de exclusão do alérgeno e apresenta sinais de que possa o estar tolerando (note, isso deve sempre ser acompanhado por médico e nutricionista).

Neste caso, a criança é novamente exposta ao alérgeno, em pequenas quantidades, em doses crescentes e intervalos regulares, sob supervisão médica, com análise de possíveis reações e a quantidade de alimento necessária para deflagrá-las (vamos conversar sobre as fases logo ali embaixo).

Crianças mediadas por IgE tendem a ter reações em até duas horas, período em que deverão ser observadas pelo médico.

Quando as reações não são mediadas por IgE ou são tardias, o alérgico tende a não apresentar sintoma instantâneo ou dentro de duas horas. Nesse caso, o processo de introdução do alérgeno deverá ser mantido em casa, se não houver reações, é possível confirmar a tolerância. Caso haja sintomas, deve-se observar a fase em que isso ocorreu (bem como a quantidade de alérgeno ingerido) e retornar à fase imediatamente anterior, onde não houve reação.

Os testes de provocação oral são padrão-ouro para comprovação diagnóstica. Também
são úteis para se constatar se o paciente já se tornou tolerante ao alimento.

Em ambos os casos, é de suma importância que o paciente esteja em boas condições de saúde antes de ser submetido ao TPO, para que não haja confusão de sintomas de alguma doença, com reações alérgicas.

Ambiente Hospitalar x Ambulatorial

A escolha por fazer o TPO em ambiente hospitalar ou ambulatorial vai depender das reações apresentadas pela criança, de ela ser ou não mediada por IGE, da idade em que se encontra, enfim, o médico deve analisar o melhor ambiente de acordo com as condições do paciente.

A ASBAI apresenta uma tabela MUITO bacana que auxilia os médicos a definirem o melhor momento e o ambiente adequado, veja abaixo:

FASES DO TPO DE TOLERÂNCIA

Alguns estudos mais recentes indicam a possibilidade de alérgicos tolerarem o alergênico em sua forma assada, e em pequenas quantidades, especialmente quando se trata de ovos ou leite de vaca, bem como a possibilidade de tolerância quando a reintrodução é feita de forma gradual.

Essa introdução gradativa ocorre após o TPO, onde se identifica a tolerância, e deverá seguir 3 fases:

  • Assados: nesta fase, utiliza-se o alergênico em alguma preparação que deverá ser assada por pelo menos 30-40 a 120-180ºC (Guia da ASBAI). A criança deve ser observada pelo período indicado pelo médico.
  • Derivados: se o alérgico passar sem reações pela fase de assados, deverão ser introduzidos os derivados (queijo, iogurte, etc). E, novamente, a criança deverá ser observada pelo período indicado pelo médico.
  • Leite in natura: passada a fase de derivados sem reações aparentes (que deverão ser analisadas em conjunto por médico e nutricionista) passa-se à ultima fase que é a administração do leite propriamente dito. Novamente, de forma gradual, começa com pequena quantidade e vai aumentando com o passar dos dias, conforme orientação do médico/nutricionista.

Passada por estas fases sem reação, considera-se que o alérgico adquiriu tolerância ao alimento que lhe produzia alergia. Não se fala em cura, pois é possível o retorno. Por isso, o mais indicado é que não haja exageros após a tolerância, a criança pode comer, mas não precisa comer em excesso.

Referências:

http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/aaai_vol_2_n_01_a05__7_.pdf

http://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/pdfs/ALERGIA_ALIMENTAR.pdf

http://asbai.org.br/revistas/vol356/Guia-35-6.pdf

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